Crescer Com A Dor

#FORÇACHAPE

Todos nós acordamos na última terça-feira (29.11.2016) com uma notícia horrível, que abalou e chocou o mundo, principalmente os brasileiros. Certamente tal tragédia ficará para sempre na memória de cada um, sobretudo dos habitantes de Chapecó-SC. Jamais quero, por intermédio desse texto, dizer que esse acontecimento foi positivo – eu daria até o recém título conquistado pelo meu time do coração em troca das vidas perdidas, se fosse possível. O que procuro passar de mensagem com essa publicação é o seguinte: tudo, repito, absolutamente TUDO na vida tem um lado reflexivo, embora eu concorde que seja difícil processar tal informação em um curto espaço de tempo. Essa ideia de enxergar não só o negativismo nas diversas situações (mesmo que estas forem extremamente graves) é árdua, ainda mais diante de um caso de proporções gigantes como o ocorrido, porém, basta inseri-la em sua mente que o mundo se tornará bem mais fácil de ser digerido.

Eu, André, com a minha luta diária contra uma doença genética, tenho motivos de sobra para refletir sobre o crescimento com a dor. Posso dizer que evoluí muito mais quando perdi do que quando ganhei. Cresci superando minhas dificuldades e fiquei mais forte com as adversidades da que a vida me deu (leia sobre mim aqui). Às vezes nem notamos, mas o “algo ruim” pode virar “algo bom” no futuro.

DOIS LADOS DA MOEDA

Além de ter dado o título da Copa Sul-Americana aos brasileiros (o que já foi uma atitude nobre), a homenagem que vimos dos colombianos na quarta-feira (30.11.2016) no Atanásio Girardot (estádio de Medellin-COL onde a final seria disputada) e nos seus arredores, foi simplesmente espetacular e mágico, ainda mais se levarmos em conta que tudo foi organizado em menos de um dia. Nunca ninguém viu nada parecido. Nós, do Brasil, nos sentimos de alguma forma amparados, abraçados e até mesmo com um pouquinho da dor amenizada. Que momento maravilhoso, para se emocionar e chorar. O Atlético ganhou inúmeros fãs. Isso evidenciou que a humanidade é sim solidária e graciosa, quando achávamos que ela estava perdida, em meio à guerras, ódio e terrorismo. Que se aprenda com a dor.

Noite de homenagens aos vitimados no Atanásio Girardot, estádio do Atlético Nacional-COL.

E o que dizer dos presidentes de clubes nacionais, deixando a rivalidade de lado e se unindo dispostos a ajudar esse que certamente se tornará o segundo time de cada um? O Corinthians “esquecendo” dos seus costumes e vestindo verde? E o apoio recebido dos times internacionais, que estão estampando o distintivo da Chapecoense em seus respectivos uniformes, disponibilizando alguns de seus jogadores sem custos e doando a renda de seus próximos jogos em prol dos familiares dos vitimados? O que dizer então do arrepiante minuto de silencio no jogo no Anfield Road entre os times ingleses Liverpool X Leeds Utd (vídeo no final)? Até mesmo a relação entre a Colômbia e o Brasil se estreitou e a cidade pequena de Chapecó ganhou uma visibilidade mundial (que nunca teria) com o triste episódio. É uma pena que foi preciso que uma tragédia dessa magnitude tivesse que ocorrer para o ser humano mostrar que pode ser solidário e unido.

Que fique bem claro, sendo repetitivo, que nada disso vale uma tragédia. É apenas uma tentativa de te mostrar que nem tudo são trevas – há um lado que serve como aprendizado. Se os novos dirigentes usarem com precisão e honestidade esse apoio moral e financeiro gigante que estão recebendo, a Chape será reconstruída, tenho certeza! Contudo, a pergunta que fica é: nós, brasileiros, se a situação fosse inversa, faríamos igual os fantásticos colombianos? Para se pensar…

NADA É POR ACASO

Como já escrevi no texto “Dois Lados da Moeda”, existem algumas pessoas de determinados credos que ao invés de ficar de luto com a morte, decidem comemorá-la, mesmo com a dor da perda, principalmente se o falecido fosse uma pessoa boa durante a sua passagem na Terra! Quase todos os seres humanos (me incluo nessa) não estão preparados para essa filosofia e a acham temerária, pois a saudade e o sentimento de falta falam mais alto. Segundo eles – e nisso eu concordo – a própria morte difere dos conceitos que guardamos dela até hoje. Para finalizar, acredito que tudo o que acontece na sua vida é por algum motivo (até mesmo quem sobreviveu ao acidente). Um dia você vai saber o porquê de todo o planejamento do nosso arquiteto maior.

O que dizer do filho do técnico Caio Júnior que só não embarcou porque esqueceu o passaporte? Respondo com uma singela frase de Chico Xavier: “nada na vida é por acaso”.

#HERÓISDECONDÁ

Mesmo se você for ateu e não tiver nenhuma crença, espero que esse texto te leve algum consolo. Aos familiares dos vitimados: saibam que os seus entes queridos tornaram-se nossos heróis.

A vida é cheia de altos e baixos. Aquele que não tem vontade, coragem, autoconfiança e força para se levantar após a derrota, está fadado a ser um eterno derrotado. – Masaharu Taniguchi

E que a força da dor se transforme com o passar do tempo, a Chapecoense cresça novamente e a morte dos jogadores e outros presentes não seja em vão!


COMPARTILHAR:

Não tem Facebook ou prefere o anonimato?